CLARIN CIA DE DANCA
A Clarin Cia. de Dança nasceu em 2013, idealizada pelo artista maranhense Kelson Barros, residente em São Paulo desde 2003. Desde então, consolidou-se como um espaço de experimentação e criação artística, reunindo artistas de origens diversas – capoeira, breaking, ballet, passinho, funk e danças brasileiras – que encontram na cultura popular e periférica a principal fonte de inspiração estética e temática.
Ao longo de sua trajetória, a Clarin construiu um repertório premiado e reconhecido, com obras que transitam entre o popular, o folclórico e o contemporâneo. Espetáculos como CEBOLA – cascas de um todo (2018), OU 9 OU 80 (2020), vencedor do Prêmio APCA 2021, Da Cor de Cobre (2020), Fênix (2023), premiado pela APCA na categoria Trilha Sonora, Le Bizu (2023) e, mais recentemente, Terras de Águas e Cazumbas (2025), reafirmam a pesquisa contínua sobre a arte popular brasileira como instrumento de transformação social.
Com a expansão da companhia e a necessidade de circulação em diferentes contextos, surgiram novos núcleos que fortalecem e ampliam esse universo criativo. Assim nasce, em 2020, a Passin Cia. de Dança, formada por dançarinos das capitais do Rio de Janeiro e São Paulo, trazendo para o palco a energia e a inventividade do passinho – reconhecido em 2024 como Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro. A companhia hoje circula com os espetáculos OU 9 OU 80 e Fênix, além da intervenção urbana Baile Carioca, mantendo viva a pesquisa em dança popular contemporânea e reafirmando o poder transformador da cultura periférica.
Outro desdobramento é o projeto The Jackson’s Funk (2024), que nasceu do encontro entre fãs de Michael Jackson e dançarinos de passinho dentro da Clarin. Liderado por Pablinho MJ, artista de Manguinhos (RJ) e integrante da companhia desde 2019, o grupo apresenta um espetáculo-show que recria a atmosfera do “Dangerous Tour” e do projeto “This Is It”, mesclando músicas e coreografias do Rei do Pop com o funk e outros ritmos periféricos. Mais do que uma homenagem, a proposta é imaginar “e se Michael Jackson dançasse funk?”, criando uma experiência única, que já despertou interesse de ícones da cena musical e televisiva brasileira e internacional.
Esses três núcleos – Clarin, Passin e The Jackson’s Funk – se complementam e se fortalecem mutuamente. Juntos, formam um repertório diverso e potente, capaz de dialogar com diferentes públicos, programadores e contextos culturais. Seja pelo viés do folclore maranhense, pela força da cultura urbana ou pela ponte entre ícones globais e a periferia brasileira, todas as obras compartilham um mesmo princípio: a arte como ferramenta de reflexão, aproximação e representatividade em uma sociedade plural.
É esse mosaico criativo que apresentamos neste material, reunindo a trajetória e as obras que seguem em circulação. Um convite para que programadores, curadores e públicos de diferentes regiões do Brasil e do mundo conheçam e compartilhem da potência da dança que nasce do popular, se reinventa no contemporâneo e projeta novas possibilidades para o futuro.
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